Quarta-feira, 4 de novembro de 2026
Salvador · Bahia
Saúde

Canetas emagrecedoras são testadas contra vícios

Estudos mostram resultados promissores com semaglutida, mas especialistas dizem que ainda faltam provas de eficácia e segurança.

Medicamentos conhecidos como “canetas emagrecedoras”, usados principalmente contra a obesidade e o diabetes tipo 2, despertam o interesse de pesquisadores por um possível efeito no controle do consumo de álcool e de outras drogas. Substâncias como a semaglutida e a tirzepatida agem em mecanismos de saciedade e controle da glicose, e cientistas investigam se também influenciam os circuitos cerebrais de recompensa e desejo.

Uma pesquisa publicada no British Medical Journal, com dados de cerca de 600 mil veteranos americanos com diabetes tipo 2, encontrou associação entre o uso dessa classe de remédios e menor risco de transtornos ligados a álcool, cocaína, nicotina e opioides, segundo O Globo. Em outro estudo, de 2024, pessoas com transtorno por uso de álcool de moderado a grave receberam semaglutida ou placebo por 26 semanas: os dias de consumo excessivo caíram 41% no grupo tratado, contra 26% no placebo. A Eli Lilly testa a brenipatida, molécula experimental da mesma classe, e espera resultados em 2028.

Os medicamentos não têm aprovação para tratar dependências, e alguns médicos os usam off-label, quando a indicação é diferente da prevista em bula. Psiquiatras ouvidos, como Dartiu Xavier, Ronaldo Laranjeira e Analice Gigliotti, consideram a abordagem promissora, mas dizem que ainda não há evidências suficientes e que estudos controlados são necessários. Os resultados iniciais não significam que as canetas possam substituir os tratamentos já estabelecidos, e o uso para essa finalidade deve ser avaliado individualmente por profissionais de saúde.

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