Segunda-feira, 3 de agosto de 2026
Salvador · Bahia
Política

Crise nos bastidores: PF e gabinete de André Mendonça entram em rota de colisão no caso INSS

FOTO : STF ASSESSORIA PARTICULAR

Pedido para investigar Lulinha aprofunda tensão sobre a condução das apurações; PF questiona decisões do STF desde janeiro.

Um novo pedido da Polícia Federal para investigar Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, no caso do INSS, escalou uma crise que já vinha se formando nos bastidores entre a corporação e o gabinete do ministro André Mendonça, relator do processo no Supremo Tribunal Federal.

A sequência dos fatos começou com o pedido de abertura de um novo inquérito pela PF. O caso chegou ao STF durante o plantão do ministro Alexandre de Moraes, seguiu para a Procuradoria-Geral da República e, com parecer favorável ao prosseguimento, acabou distribuído a Mendonça — que já relata o inquérito principal do caso INSS.

Esse episódio, porém, é apenas o mais recente de um desgaste que se arrasta há meses. O gabinete do ministro vem demonstrando incômodo com a condução das investigações, cobrando informações sobre o andamento do inquérito e questionando tanto a demora em algumas diligências quanto mudanças na equipe responsável pelo caso.

A Polícia Federal rejeita essa leitura. A corporação nega qualquer irregularidade na condução das apurações e defende que os procedimentos seguiram critérios técnicos.

O atrito também apareceu em outra frente: a PF chegou a acionar a Advocacia-Geral da União para avaliar restrições impostas por Mendonça à comunicação de informações da investigação entre delegados e seus superiores. Para interlocutores do gabinete do ministro, esse cenário sugere que algo não estaria funcionando de forma regular nas investigações. Fontes da PF contestam essa avaliação e afirmam não ter havido atuação indevida, embora reconheçam discordar de decisões que, na visão da corporação, interferem em suas atribuições.

Segundo essas fontes, o acionamento da AGU pela PF remonta a janeiro, quando o relator do caso ainda era o ministro Dias Toffoli — a manifestação inicial teria sido verbal, e só em maio e junho os pedidos passaram a ser formalizados por escrito. Por essa cronologia, a PF sustenta que a discordância é anterior ao pedido de investigação contra Lulinha, que apura suspeitas de corrupção e tráfico de influência, e não teria relação direta com esse novo desdobramento.

O capítulo Jaques Wagner

Paralelamente, o caso ganhou mais um front com a retirada parcial do sigilo de documentos ligados ao senador Jaques Wagner. A medida abriu espaço para a suspeita de vazamento de informações, hipótese que passou a constar em petições do processo e ampliou ainda mais a tensão em torno do caso. Recentemente, Mendonça também autorizou o monitoramento do celular do senador em uma investigação distinta, sobre o Banco Master.

Com esses desdobramentos, o caso do INSS deixou de ser apenas uma apuração criminal e passou a expor também uma disputa institucional entre a Polícia Federal e o gabinete de André Mendonça sobre quem controla a condução das investigações.

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