Psiquiatra defende cuidado em liberdade em vez de repressão; Salvador tem apenas dois Caps voltados a álcool e drogas.
Na segunda reportagem da série “Além do Vício”, o Bahia Notícias ouviu o médico psiquiatra Antônio Nery Filho, professor da Faculdade de Medicina da Ufba, sobre os impactos da política de drogas na saúde pública baiana.
Segundo o especialista, o uso de substâncias psicoativas deveria ser tratado como questão de saúde, não de segurança. Para ele, o modelo repressivo direciona recursos que poderiam fortalecer a Rede de Atenção Psicossocial (Raps) para o aparato de combate às drogas, agravando o subfinanciamento do SUS.
Nery destaca que Salvador conta com apenas dois centros de atenção psicossocial voltados a usuários de álcool e outras drogas, além do Cetad/Ufba — estrutura que, segundo ele, opera com dificuldades. Dados do Ministério da Saúde apontam 328 Caps habilitados na Bahia, distribuídos em apenas 20 municípios.
O médico defende a redução de danos como estratégia que respeita a autonomia do usuário e prioriza o cuidado em liberdade, e não a internação compulsória. Segundo ele, essa abordagem não estimula o consumo, mas busca proteger vidas.
