Reconhecimento passa a integrar o espaço ao patrimônio cultural do estado; processo começou em 2019.
O Governo da Bahia decretou nesta sexta-feira (31) o tombamento oficial do Terreiro Zoogodô Bogum Malê Hundó, no bairro do Engenho Velho da Federação, em Salvador. A medida reconhece a importância histórica e cultural do templo, de tradição Jeje-Mahi, e foi publicada no Diário Oficial do Estado.
Com o tombamento, o espaço passa a integrar o Livro do Tombamento dos Bens Imóveis do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC). O processo havia sido iniciado em 2019, com propostas aprovadas tanto pelo IPAC quanto pelo Conselho Estadual de Cultura.
O Terreiro do Bogum se diferencia da maioria dos templos de Salvador por seguir a tradição Jeje, e não a nagô, predominante na cidade — os rituais são realizados em eué, idioma de origem africana, e o culto é dedicado aos voduns, e não aos orixás. A liderança atual é exercida pela Doné Zaildes Iracema de Mello, a Mãe Índia, à frente do terreiro desde 2003.
Segundo a tradição, o local também guarda relação histórica com a Revolta dos Malês, insurreição de africanos escravizados ocorrida em Salvador em 1835. Para Mãe Índia, o reconhecimento estatal simboliza a valorização da resistência de seus antepassados diante da violência da colonização.
