Reportagem aponta divulgação de dados e pedidos de denúncia contra brasileiros na Coreia do Sul, Japão, Bélgica e Polônia; não há evidência de coordenação pela campanha.
Perfis de apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL) mobilizaram usuários nas redes sociais, durante e depois do primeiro turno, para identificar, expor e incentivar denúncias contra eleitores de Lula (PT) que vivem em outros países, segundo reportagem da Folha de S.Paulo. Os ataques atingiram brasileiros na Coreia do Sul, no Japão, na Bélgica e na Polônia, com divulgação de dados pessoais, tentativas de localizar casas e locais de trabalho e ameaças de denúncia e deportação.
O caso de maior repercussão foi na Polônia, onde fotos de duas brasileiras com gestos de apoio a Lula circularam com mensagens associando-as ao comunismo. O eurodeputado Dominik Tarczyński, aliado da família Bolsonaro, pediu ajuda para identificá-las e defendeu a deportação. As imagens mostram apenas gestos e símbolos de apoio ao PT, sem evidência de defesa de regime totalitário. As duas procuraram a embaixada do Brasil em Varsóvia, que, segundo o Itamaraty, se colocou à disposição para assistência consular, caso solicitada.
Segundo a Folha, no dia da votação um usuário do X lançou a campanha “De volta para minha terra”, que convocava brasileiros no exterior a denunciar compatriotas que teriam votado em Lula. A reportagem afirma que não há evidências de que a campanha de Flávio tenha coordenado os ataques, nem de que Eduardo Bolsonaro tenha participado da identificação das mulheres.
