Estudo analisou 7.456 missas e cultos antes do 1º turno; apenas 237 tiveram pedido ou ataque a candidatos.
Um estudo da More in Common Brasil em parceria com o grupo Passagens, da UFRJ, analisou 7.456 missas e cultos em 25 estados e no Distrito Federal nos dois domingos antes do primeiro turno, 20 e 27 de setembro. Foram 1.785 celebrações católicas, 3.596 cultos batistas e 2.075 da Assembleia de Deus, com 13.886 horas de transcrição. Só 237 (3,2%) tiveram propaganda eleitoral, definida como qualquer prática que promova ou ataque uma candidatura, do pedido de voto à bênção a um candidato.
Cinco vezes mais frequente foi o conteúdo cívico, sem indicar candidato (1.141 casos, 15,3%), como pregações contra a polarização e a favor do voto consciente. Por denominação, a propaganda apareceu em 0,7% das missas católicas, em 1,4% dos cultos batistas e em 8,3% dos da Assembleia de Deus. O conteúdo cívico foi mais frequente entre católicos (19,9%), seguidos por Assembleia (16,7%) e batistas (12,2%).
Pablo Ortellado, da USP, diretor da More in Common, diz que o alcance do chamado “voto de cajado” é menor do que se imagina e que há preconceito em tratar evangélicos como um grupo manipulado por lideranças, embora igrejas pentecostais peçam voto com mais frequência. O antropólogo Rodrigo Toniol, da UFRJ, lembra que a pesquisa não alcança conversas na entrada das igrejas nem em grupos de WhatsApp. A lei eleitoral trata templos como bens de uso comum e veta campanha neles.
