Reportagem não encontra evidência de uso da ferramenta na campanha; a campanha diz que o serviço foi de proteção contra ataques cibernéticos.
O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, e o Partido Liberal pagaram juntos R$ 731,9 mil à Elytron, empresa de cibersegurança que teria oferecido no exterior um sistema de inteligência artificial voltado à manipulação política, segundo o Intercept Brasil. De acordo com a reportagem, o sistema permitiria segmentar eleitores, espalhar boatos e desinformação e usar perfis artificiais para desacreditar adversários. Não há evidências de que a ferramenta tenha sido usada pela campanha de Flávio ou pelo PL em 2026.
Pelos registros eleitorais citados, a campanha declarou R$ 600 mil em pagamentos à Elytron, e o PL informou R$ 131,9 mil, descritos como consultoria em TI e serviços técnico-profissionais. A denúncia partiu do tecnólogo norte-americano Vincent Edward Reed, ex-consultor da empresa, que disse ter rompido por considerar o sistema preocupante do ponto de vista ético e legal.
Em resposta, a campanha de Flávio disse que não contrata serviços que violem a legislação eleitoral, classificou como política a tentativa de associar a contratação à manipulação e afirmou que o serviço teve a finalidade de proteger sistemas de comunicação contra ataques cibernéticos. A Elytron não respondeu ao Intercept, e executivos ligados às operações internacionais negaram oferecer manipulação política ou deepfakes.
