Debate vem após o Congresso promulgar, na sexta (16), a emenda que acaba com a escala 6×1; transição prevê redução final só após 14 meses.
Um estudo da década de 1980 sobre a redução da jornada semanal de 48 para 44 horas, feita pela Constituição de 1988, mostrou que a mudança não trouxe desemprego significativo. A pesquisa foi feita pelo economista Naercio Menezes Filho, do Insper e da FEA-USP, e comparou os trabalhadores atingidos com um grupo que já tinha 44 horas: o desemprego não aumentou, e a remuneração por hora subiu. O salário mensal caiu cerca de 2%, mas, como a jornada diminuiu proporcionalmente mais, o ganho por hora cresceu. O estudo é uma referência no debate sobre o fim da escala 6×1, cuja emenda foi promulgada nesta sexta (16), em cerimônia com o presidente Lula.
Naercio diz que nem todo o aumento de custo foi repassado aos preços e que não entende as “previsões catastróficas”. Em 1988, a redução foi feita de uma vez, sem transição, e por isso ele defende a transição prevista na nova emenda, com a redução final só depois de 14 meses.
O economista Fernando de Holanda Barbosa, do Ibre/FGV, pede cautela. Um estudo dele e de Paulo Peruchetti, sobre a redução de 44 para 36 horas, estimou queda de 6,2% no PIB, o que, segundo ele, não significa desemprego em massa. O ponto central, afirma, é como as empresas reagirão ao aumento do custo da hora trabalhada, e uma das possibilidades é trocar mão de obra por tecnologia. Ele lembra que, nos anos 80, com inflação alta, o repasse aos preços era mais fácil, e hoje o consumidor sentiria. Ele diz que o debate deve considerar quem arcará com os custos e que alguns grupos podem perder.
