Texto, publicado na quarta (28), foi corrigido às 17h19 depois de erro no brasão; Marinho diz que não há provas de fraude e que houve “problema na confecção” da carta.
O senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado por Lula (PT) no segundo turno, divulgou na quarta-feira (28) uma carta em que se apresenta como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil” e classifica o resultado da votação de domingo como “golpe de Estado” e “fraude eleitoral”. O texto apareceu primeiro nas redes do influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo. Depois de internautas apontarem um erro no brasão do Brasil, Flávio publicou uma versão corrigida em seu perfil oficial às 17h19, em que trocou “presidente eleito” por “líder”, segundo o Bahia Notícias. Na terça (27), ele havia dito que desistiria de pedir a anulação da eleição e que não fugiria do país, segundo o BN.
Na carta, Flávio atribui os votos a mais de Lula entre o primeiro e o segundo turno à ilegitimidade do ministro Cristiano Zanin, do STF, e afirma que o ministro Alexandre de Moraes “pôs em andamento a máquina de perseguição política do regime”, segundo trechos publicados pelo Metrópoles e pela Jovem Pan. Ele nega ter fugido: diz que saiu “de um regime de exceção” para poder ser o líder “que o meu povo merece”, e que, “calado, preso e censurado” como o pai, não poderia exercê-la. As fontes consultadas registram as declarações, mas não mencionam provas apresentadas de fraude. O TSE e a Justiça Eleitoral já haviam rejeitado a tese de irregularidades.
Aliados de Flávio se distanciaram do tom do texto. O senador Rogério Marinho (PL-RN), ex-coordenador da campanha, disse que “o PL não pode fazer essa afirmação” de fraude, “porque não há prova nesse sentido”, e que acredita ter havido “algum problema na confecção da carta”. O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou ao Estadão que o presidente do Brasil é “aquele que o TSE declarou eleito”. Segundo o BN, o presidente americano, Donald Trump, evitou comentar a carta. Flávio está nos EUA desde terça (27), segundo a PF e a imprensa.
