Pedido foi protocolado na sexta (30) a Fachin e cita o uso de jatos ligados a Vorcaro; a matéria não traz resposta de Moraes.
A defesa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu na sexta (30) ao presidente do STF, Edson Fachin, que o ministro Alexandre de Moraes seja considerado impedido de relatar o inquérito que apura a relação entre o senador e o advogado Willer Tomaz, e que o caso seja redistribuído ao ministro André Mendonça. São três peças protocoladas. A investigação apura se os dois tinham uma sociedade indireta para lavar dinheiro, inclusive por meio de uma casa de apostas. Foi nesse inquérito que a PF pediu, e Moraes autorizou, o cancelamento dos passaportes brasileiros e a entrega do passaporte italiano do senador, além da proibição de contato entre ele e Tomaz. Os advogados pedem também a revogação das medidas cautelares.
Pelo argumento da defesa, Moraes estaria impedido porque usou o mesmo avião que a PF aponta como elo entre Flávio e Willer e que tem relação com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A Folha lista, entre as viagens compartilhadas, um voo de janeiro de 2025 em um jato Legacy 650 da Fraction 024, empresa dividida entre Willer, o fundador da Totvs, Laércio Cosentino, e a Prime You, da qual Vorcaro foi sócio até setembro de 2025. O jornal já havia revelado que Moraes e a mulher, Viviane Barci de Moraes, voaram em jatos de empresas de Vorcaro ou ligadas a ele entre maio e outubro de 2025, e que a PF aponta que o banqueiro negociou a transferência de cotas de um jatinho e de um helicóptero como pagamento por um segundo contrato com o escritório de Viviane. Em outra frente, a defesa diz que o caso deveria ser de Mendonça, relator do caso do INSS, porque a apuração partiu de dados de Willer obtidos nessa investigação.
A matéria não traz manifestação de Moraes sobre o pedido. A Folha diz que, na segunda (26), Flávio gravou vídeo afirmando que entregaria os passaportes e não cogitava sair do país, e que o entorno dele disse ter ficado surpreso com a viagem com a mulher e as filhas.
