Segunda-feira, 3 de agosto de 2026
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Atraso menstrual não tem ligação com fenômenos atmosféricos ou aceleradores de partículas, explicam especialistas

Vídeos virais que atribuem alterações no ciclo de mulheres à ressonância de Schumann e às atividades do CERN não possuem fundamentação científica; estresse e variações hormonais explicam o sintoma.

Conteúdos divulgados recentemente em redes sociais alegam que uma suposta onda de atrasos menstruais ao redor do mundo estaria ligada a fenômenos físicos externos. As teorias associam a variação no ciclo feminino à ressonância de Schumann — onda eletromagnética presente na atmosfera — ou ao funcionamento do Grande Colisor de Hádrons (LHC), o acelerador de partículas mantido pelo CERN na Europa.

Físicos e médicos, contudo, são categóricos ao afirmar que não existe qualquer evidência científica de que esses fatores interfiram no organismo humano.

A ressonância atmosférica e a ausência de impacto no corpo

A ressonância de Schumann é um fenômeno real que ocorre na ionosfera, camada atmosférica situada a dezenas de quilômetros de altitude, gerado por descargas elétricas contínuas. No entanto, especialistas em física ressaltam que se trata de uma onda de baixa frequência e sem energia suficiente para ionizar átomos ou alterar células vivas — ao contrário do que ocorre com raios X ou radiação gama.

Mesmo durante períodos de maior incidência de tempestades solares, o que se altera na ionosfera é a intensidade do sinal, e não a sua frequência. Por essa razão, a onda permanece inofensiva à saúde humana, da mesma forma que as emissões cotidianas de rádio e micro-ondas.

Funcionamento do LHC e a ilusão sobre a contagem do tempo

A segunda tese viral atribui a oscilação nos ciclos ao desligamento temporário do LHC, localizado na fronteira entre a França e a Suíça. O acelerador de partículas entrou em uma fase de manutenção programada — o chamado Long Shutdown 3, iniciado na metade de 2026 —, com previsão de retomar as atividades em 2030.

Embora a física comprove que o tempo transcorre em ritmo diferente para partículas aceleradas em altíssima velocidade no interior do túnel, esse efeito restringe-se exclusivamente ao ambiente do experimento subatômico. Pesquisadores que já atuaram na instituição europeia reiteram que as operações do colisor não possuem capacidade de modificar o espaço-tempo nem de exercer influência sobre o cotidiano fora do laboratório.

Fatores reais que desregulam a menstruação

Do ponto de vista médico, especialistas em ginecologia esclarecem que a regulação do ciclo menstrual depende do equilíbrio de um sensível eixo hormonal. Esse sistema responde diretamente a estímulos biológicos e emocionais cotidianos, tais como:

  • Estresse e oscilações emocionais: afetam a região do hipotálamo, diretamente associada ao controle do sistema límbico;
  • Disfunções na tireoide: alteram a produção de hormônios regulados pela hipófise;
  • Déficit energético: decorrente de dietas altamente restritivas ou gastos calóricos excessivos;
  • Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP): uma das principais causas de irregularidade no ciclo;
  • Variações bruscas de peso e hábitos alimentares.

A coincidência no relato de várias mulheres em plataformas digitais é explicada pela alta prevalência dessas condições na população. Diante de alterações persistentes no ciclo, a recomendação é buscar avaliação com um profissional de saúde.

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