Decisão atende pedido da campanha de Flávio Bolsonaro; Janones, criador do canal, chama de “censura”, e a campanha de Lula diz que o Jurídico vai se manifestar.
O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, atendeu a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) e determinou a suspensão do canal “Exército do Lula” no WhatsApp, criado pelo deputado federal André Janones. Segundo o ministro, o canal “se converteu em vetor de disseminação, em escala nacional, de conteúdos que esta Corte já reconheceu como desprovidos de lastro mínimo”.
No despacho, Kassio afirmou que o que se afasta não é a mobilização de apoiadores, a crítica política contundente ou o uso de redes para pedir votos, mas o uso de uma estrutura de transmissão a milhões de pessoas, sob comando único, para replicar conteúdos já reconhecidos como inverídicos. Ele também apontou que a criação do canal esbarra em obrigações que o WhatsApp se comprometeu a cumprir nas eleições de 2026.
Em outra ação sobre o mesmo canal, movida também por Flávio, o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, deu cinco dias para Janones e o presidente Lula se manifestarem. Ele também mandou a campanha do senador apontar as irregularidades de cada conteúdo questionado e entregar ao TSE os arquivos citados como provas.
Depois da decisão, Janones recomendou que os membros passem a atuar em outro canal e em uma página no Instagram. Em vídeo, classificou a medida como “censura”: “Não é que se Flávio Bolsonaro for eleito a censura vai ser instalada. A censura já começou.” A campanha de Lula disse, por meio da assessoria, que o Jurídico vai se manifestar nas próximas horas.
